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Compra de moedas, o novo negócio das casas de câmbio em tempos de pandemia.

A pandemia do novo coronavírus também criou um novo cenário para as casas de câmbio. Com a recomendação de isolamento social, as viagens internacionais saíram da lista de prioridades e a comercialização de moeda teve uma queda relevante nos últimos meses. Em contrapartida, a compra de moedas apresenta alta expressiva e pode ser uma nova tendência para garantir faturamento em tempos de dificuldade econômica.

O dólar, moeda mais comercializada pelas casas de câmbio, apresenta uma valorização importante desde a segunda quinzena de março, quando a pandemia começou no Brasil. Ele passou da casa dos R$ 4,70 para os atuais R$ 5,00.

Muita gente havia comprado a moeda por taxas bem inferiores nos últimos meses pensando em viagens futuras, que foram canceladas. Com a restrição econômica, essas pessoas aproveitaram a valorização do papel americano para ampliar a renda e as casas de câmbio estão assistindo à corrida para a compra de moedas.

O que dizem pessoas do segmento?

Segundo Cecilio Perez, sócio-proprietário da Casa de Câmbio Santos, que possui duas unidades no estado de São Paulo, houve uma queda de 78% do faturamento na venda de moeda direta ao cliente. Em compensação, houve um acréscimo de 144% no volume de compras entre fevereiro e maio. Ou seja, pessoas que procuraram os estabelecimentos para vender moeda.

 

“Nosso volume de compras só tem aumentado. Em abril, isso representou mais de 75% das operações. O grande segredo é entender que a regra do jogo mudou. Antes, comprar era bom para aumentar o spread de venda. Hoje, comprar é bom para revender para o Banco Ourinvest. Estamos comprando tudo que podemos”, diz Cecilio.

 

Para Alexandre Stiehler, CEO da SC Câmbio, que tem duas casas de câmbio no sul do País, o mercado inverteu a ordem. “Nós éramos filiais vendedoras e isso mudou. Agora, nossa principal demanda é de compra de moeda de pessoas que desistiram da viagem e precisam fazer reais”, diz.

Segundo ele, o movimento total das casas de câmbio, contando compra e venda de moedas, caiu 70% desde o início da pandemia. “Em contrapartida, o volume de compras aumentou 140% no período”, afirma.

Para garantir o atendimento aos clientes que querem vender moedas, os empresários apostam em frentes, como divulgação dos serviços em mídias sociais e serviço de delivery. O trabalho remoto também ganhou mais importância.

 

Cecilio afirma que todos os arquivos e documentos estão em nuvem, o que possibilita o trabalho, mesmo com as lojas fechadas. “Investimos em um sistema que permite gerenciar os contatos de clientes que chegam pelo WhatsApp, dessa forma cadastramos aqueles que estavam com necessidade de compra ou venda de moeda, mesmo quando estávamos com a loja fechada”, diz o empresário.

 

O aplicativo de mensagem se tornou um aliado de trabalho ainda mais importante para as casas de câmbio nos últimos meses. Por ele as empresas fazem o envio de informes, antecipação de cadastro, envio de cotações e fechamento de câmbio.

 

A ideia principal é minimizar o tempo de atendimento na loja. Os clientes antecipam o cadastro, incluindo os dados bancários, e o processo de compra de moeda fica mais ágil e com menos interação física entre atendente e cliente. “Praticamente 99% das compras de moeda são com pagamento direto do Banco Ourinvest para a conta bancária dos nossos clientes”, explica Cecilio.

 

Um dos pontos de atenção das casas de câmbio é em relação aos controles internos. Com variações extremas nas taxas cambiais, tanto na amplitude quanto na rapidez da mudança, uma pequena distração pode significar a diferença entre lucro e prejuízo. Sendo assim, os empresários afirmam que é importante ter parâmetros rígidos das moedas compradas, vendidas, em negociação e fechadas.

 

“Mais do que nunca, é preciso estar atento às demandas, às necessidades dos clientes, à mudança do negócio”, diz Cecilio.

 

Já Alexandre aposta em uma retomada gradual. “Não conseguimos saber quando ficará tudo bem, mas é nas crises que se encontram as oportunidades. Seguimos procurando soluções, enquanto esperamos o novo normal o mais breve possível”, diz.

Segundo Othon Barcellos, gerente comercial do Banco Ourinvest, a instituição abriu a possibilidade de compra de moeda das casas de câmbio para ajudar o setor nesse momento de crise. “Estamos atendendo todas as corretoras de câmbio do mercado com condições especiais para comprarmos essas moedas.” explica o executivo.

Fonte: ourinvest.com.br/blog

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